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Fanfic CDZ


É meio…. Imenso, sei disso.

Parte 1

Olho-me no espelho pela enésima vez.

Resultado: Nada de espetacular, mas também não estou ruim. Estou… normal. Ora, quando eu vou admitir que eu sou normal? Bem, não no sentido total da palavra, especialmente naquele sentido que se refere à condição mental e emocional de uma pessoa. Nesse ponto, eu sou muito pouco normal.

Mas no que diz respeito à aparência…

Minu Setsuna.

Vinte e seis anos.

Altura normal. Tudo bem… altura um pouco abaixo do normal.

Peso normal. Normal mesmo!

Cabelos comuns: pretos e lisos que chegam até o ombro.

E um rosto muito… normal.

Na escola sempre fui uma aluna normal. Sempre na média. Na faculdade de jornalismo também. E no meu atual emprego – em um dos maiores jornais da cidade – faço bem o meu trabalho, mas sei que estou longe de ser indispensável.

No momento, estou solteira. Ok, ok, estou encalhada. Muito encalhada. Esse meu estado civil não muito animador não se deve exclusivamente ao fato de eu ser apenas “normal”. Talvez influencie um pouco. Mas os fatores principais são três:

1: A maioria dos homens interessantes estão presos na armadilha do casamento.

2: Um parte, também significativa, é homossexual. Nada contra, mais isso só me ajuda a parecer mais encalhada.

3: Eu tenho o péssimo costume de comparar os homens desimpedidos e heterossexuais a ele. E bem… comparados a ele, todos parecem normais demais.

Enfim, não preciso dizer que estou passando todo esse tempo me preocupando com a minha roupa porque vou me encontrar com ele, né? Infelizmente, não é exatamente um encontro. É a reunião mensal do nosso grupo de amigos. Atualmente, dos nossos dez amigos, só eu e ele estamos solteiros. Por que será que ele não se toca que nós podemos formar um casal tão interessante e bonito quantos os demais?

Casal 1: Seiya e Saori.

Seiya é o meu melhor amigo. Não desmerecendo os demais, lógico. Entretanto, nós sempre nos demos muito bem. O resto do nosso grupo ficava me perturbando, na época da escola, dizendo que eu gostava dele mais do que uma amiga gostaria. Ridículo! Seiya é como um irmão pra mim. Um irmão meio pentelho, mas um irmão. Já a Saori… Ela não era do nosso grupinho até agarrar o Seiya. Ops, até eles começarem a namorar. Algo me diz que ela não vai muito com a minha cara. Sem problemas, eu também não vou muito com a dela também.

Os dois se conheceram quando o Seiya (que é formado em Administração de Empresas) foi contratado para trabalhar na empresa do avô dela. Eu não tenho nada contra o relacionamento dos dois. De verdade! Se o Seiya acha que ela é a mulher ideal pra ele, só me restar apoiar e desejar felicidades.

Casal 2:Shiryu e Shunrei.

Acho que esse é o casal mais fofo do nosso grupo. Os dois são calmos, inteligentes e qualquer pessoa percebe em pouquíssimo tempo que eles se amam de verdade. São únicos casados do grupo. A Shunrei passou a fazer parte do grupo quando começou a namorar o Shiryu. O Shiryu estudou comigo. Na escola éramos eu, ele, o Seiya, o Hyoga e o Shun. Ficamos conhecidos como O Quinteto. O Shiryu sempre foi o mais inteligente (a disputa com o Hyoga era acirrada). Acho que sobre esse casal não tenho muito mais o que acrescentar. Ah, o Shiryu é médico e a Shunrei é enfermeira.

Casal 3: Hyoga e Eire.

A Eire é a minha melhor amiga. Sabe aquela amiga que te ajuda depois que você se empolgou e ficou bêbada? Aquela que te ajuda a escolher a roupa para um encontro importante (esse não é um exatamente encontro, por isso não conta!? Aquela que dá opiniões sinceras sobre o seu namorado (tá certo que eu não tive muitos, mas…)? Enfim, a Eire é uma pessoa maravilhosa! Ela é jornalista como eu. Nós nos conhecemos no Jornal. Ela entrou no grupo por minha influência. Só que em pouco tempo ela e o Hyoga se apaixonaram. Eu adoro o Hyoga. Ele gosta de me perturbar e tem um jeitinho prepotente, mas é um cara legal. Ah, o Hyoga é advogado.

Casal 4: Shun e June.

O Shun é o cara mais bondoso que eu já vi. A June também é um amor. Eles são arquitetos e se conheceram na faculdade. Estão noivos, mas não tem data do casamento definida. Torço pra que seja logo, quem sabe eu posso pegar o buquê?

E bem, o décimo membro do grupo é ele.

Ikki Amamiya.

Vinte e sete anos. Engenheiro civil. Irmão do Shun, porém eles não poderiam ser mais diferentes. Ele sempre andou com a gente.

Ele sempre adorou me perturbar.

Ele é sarcástico, irritante, arrogante, lindo…

Desde que eu me entendo por gente sou apaixonada por ele. E bem… parece que pra ele sempre fui Minu: a amiga chatinha do meu irmão.

Sete e vinte e cinco.

Volto a prestar atenção na minha imagem refletida no espelho. E sabe de uma coisa? Dane-se! O vestido pelo qual eu paguei uma parte considerável do meu salário não ficou tão bom como ficava na manequim da loja, mas dane-se! Não estou tão mal assim.

Cheguei ao clube pouco depois das oito horas, que era o horário marcado. O lugar estava cheio, e não foi tão fácil chegar à mesa que os amigos sempre ocupavam. No caminho quase estapeei uma loira que quase queimou seu vestido com cigarro. Por que sempre tinham que se reunir naquele lugar?

Felizmente, consegui encontrar meus amigos viva e com todos os membros no lugar. Não podia dizer o mesmo cabelo. Por falar em cabelo… De que quem era aquela quarta massa de cabelos loiros? Uma era do Hyoga, outra era da Eire, e a outra da June. Mas… de quem era a quarta?

Lentamente desci minha visão até a dona daqueles lindos e impecáveis cabelos loiros. E não a reconheci. Ou melhor, percebi que não a conhecia. Mas conhecia o braço que estava sobre o ombro dela. Aquele braço lindo e musculoso pertencia ao Ikki.

-Minu! Até que enfim você chegou!

Era Seiya, alegre como sempre. Só que no momento toda aquela alegria só servia pra me irritar ainda mais. Queria voar no pescoço daquela loira aguada e saber o que ela era do Ikki, onde ela o tinha conhecido, e… e não podia ficar parada encarando a loira. Forçando um sorriso respondi.

– Olá, pessoal! Desculpem o atraso.

– Não me lembro de uma reunião nossa que você não tenha dito a mesma coisa.

Óbvio que o comentário mordaz só poderia ter saído da linda boca do Ikki.

– Boa noite pra você também, Ikki!

Shun mostrou que era quase um anjo caído do céu, quando disse:

– Sente-se na minha cadeira, Minu. Enquanto eu pego mais uma.

Ah, não! Já era demais! Eu me atrasei dez minutos e a loira já tinha ocupado a minha cadeira. Que absurdo! O garçom sabia que sempre iam dez pessoas e deixava a mesa reservada. Respirei fundo para não pular mesmo no pescoço da garota. Forcei outro sorriso, e agradeci a Shun que já voltava com a sua cadeira.

– Então, sobre o que falavam antes de eu chegar?

– Sobre a sua incapacidade de chegar no horário em um compromisso.

Na impossibilidade de fazer um gesto obsceno, levantei uma sobrancelha para mostrar pra Ikki o quanto eu tinha adorado a provocação dele.

– É mentira, Minu. – Foi a minha grande amiga, Eire, quem me ajudou – Nós também acabamos de chegar. E o Ikki estava apresentando a Esmeralda.

Esmeralda. Claro que essa figura angelical sentada na minha frente só podia ter um nome tão meloso quanto “Esmeralda”. Mas que diabos o Ikki viu nela? O estilo angelical, definitivamente, não era o dele.

Fazendo um esforço sobre-humano tentei mostrar o meu sorriso mais amigável para aquele ser a minha frente.

– Oi, Esmeralda! Tudo bom?

Para a minha irritação aumentar, o sorriso de Esmeralda parecia sincero ao dizer:

– Oi, Minu! Tudo bem. O Ikki me falou de você.

– Oh, sou bem realista para acreditar que as coisas que o Ikki falou não são muito agradáveis, mas não acredite totalmente nele.

– Oh, não… – Esmeralda começou, mas Ikki a interrompeu.

– Então, Minu. Eu ia começar a apresentar a minha namorada.

Engolindo em seco depois de ouvir “minha namorada”, incentivei:

– Fique à vontade.

– É, Ikki. Conte-nos como conheceu a Esmeralda. – Shiryu apoiou.

– Umas três semanas atrás, eu fui contratado para dar a minha opinião…

– Eles pagam por uma opinião sua? Onde esse mundo vai parar?

Não pude me conter! Como era bom ser sarcástica! E como era bom ser sarcástica com Ikki.

Seiya, eu e Eire rimos. Os demais, com exceção da Saori e do Ikki, sorriram levemente. Até mesmo a Esmeralda sorriu. Saori continuou com a sua expressão normal. Não disse que ela não vai com a minha cara?

Ikki franziu a testa. Mesmo assim ele continuava lindo!

– Mais alguma gracinha, Minu?

Fiz que não com a cabeça, e ele continuou.

– A empresa que me chamou era do pai da Esmeralda, e lá eu a conheci.

Meu Deus! Como os meus amigos gostam de dar o golpe do baú! Primeiro o Seiya e agora o Ikki. Será que o meu problema é dinheiro?

Meu estômago embrulhou ao ver o sorriso meigo que ela dava pra ele.

Preciso de uma bebida.

Ele também sorriu pra ela.

Uma bebida urgente.

Pedi para Shun que chamasse o garçom, que rapidamente veio e anotou os pedidos.

A conversa continuou animada. Hyoga contou sobre os casos que defendera naquele mês. Shun e June contaram que tinham conseguido uma conta importante. Shiryu e Shunrei falavam sobre o surto de uma doença qualquer que estava preocupando as autoridades. Seiya e Saori contaram que a empresa ia bem, enfim cada um falava sobre os seus empregos. E tudo parecia maravilhoso para Esmeralda, que sorria de tudo. O San Remi com gelo me ajudava a suportar os sorrisos melosos dela e ainda assim conseguir resistir a vontade de sair correndo.

Até que ela perguntou.

– E você, Minu? É jornalista, não?!

Será que Ikki não falou tão mal de mim? Ora não seja boba, Minu. Ele deve ter falado “Ah, a Minu é uma jornalista sensacionalista que…”

– Minu?

Novamente foi a minha querida amiga Eire que me trouxe novamente para a realidade.

– Oh, desculpe. Sim, Esmeralda. Sou jornalista. Trabalho no mesmo jornal que a Eire…

Parei de falar ao escutar meu celular tocar.

– Licença. – Pedi.

– Alô? – Atendi e me levantava para ir para um lugar mais reservado.

– Alô. Minu? Tudo bem? Sou eu, Marin.

– Oi, Marin! Tudo bom e com você?

Marin é a minha superior no jornal. Gosto dela. E ah, o marido dela é lindo! Mas, como não sou do tipo “destruidora de casamentos”…

– Tudo. Quer dizer, mais ou menos. Preciso de um favor.

– Pode falar.

– Será que você poderia cobrir o meu turno amanhã de manhã?

– Claro, Marin.

– Obrigada, Minu. Desculpe não quero estragar a sua noite de sábado.

– Tudo bem. Boa noite.

Nos despedimos.

Estragar minha noite de sábado? Oh, fique tranqüila, Marin, uma loira irritantemente simpática já o fez.

Então, eu tive uma idéia que me pareceu genial.

Retornando para a mesa, expliquei. Ou melhor, inventei:

– Desculpe, pessoal, mas tenho que ir.

– Quem era? – Ikki perguntou.

Claro que eu poderia mentir que era aquele ator maravilhoso que eu entrevistei na semana passada, mas daí já seria abusar da sorte.

– Era a Marin, minha chefe. Estão precisando de mim no jornal. – Lancei um olhar significativo para Eire, ela rapidamente entendeu que era mentira, mas que não era para ela nem sonhar em contar a verdade.

– Sinto muito.

– Tudo bem. – Shun disse. E os demais concordaram.

Deixei o dinheiro referente à minha parte na conta, me despedi. E voltei pra casa. Sozinha.

Também, por que eu fui me apaixonar por alguém como Ikki Amamiya?